A O.T.O. funciona como um shareware demonstrativo: com todas as características interessantes desativadas, funciona por um período experimental de quatorze dias que fica se repetindo vez após vez. Há somente uma área no fenômeno da O.T.O. onde ainda se consultam folhas de chá e se sacode galinha morta em caso de problema.
Críticos são perigosos aos pseudo-acadêmicos e ocultistas porque destroem a sua aura: exatamente aquilo que os tornava intocáveis aos seus próprios olhos.
Spin, censura, cavernas virtuais
No fim, os fatóides colocados em órbita pelos ocultistas criam um vendaval de censura na internet, onde “spin doctors” viram pilotos e fazem seus passageiros surfar na direção que quiserem. Enquanto se comportam como se seus antepassados não tivessem saído de rastejo do pântano primevo, mas simplesmente tomado um táxi, eles precisam encarar fatos que ameaçam a sua felicidade regrada e a sua segurança murada. Assim escolhem a ignorância como arma de sobrevivência. Promovem obscurantismo, preconceito, superstição e censura para proteger seu clã contra o “mundo”, e ficam trancados no ciclo do “ah, se...” de sua própria realidade.
Munidos da estratégia do “vale tudo” ao criar incontáveis novas Ordens, e da manipulação através da Internet, em e-grupos e e-mails, produzem imitações de pensamento e novas modalidades de antigas fantasias. Veteranos “spin doctors” se debruçam na janela virtual de suas cavernas, dando voltas nas ruínas da luxúria e levados por farrapos de iluminação no terreno da burguesia ínfima.
As ramificações da O.T.O. consistem principalmente em resenhas hínicas de sua imprensa ideologicamente congênere, na eterna celebração de Crowley e seus discípulos, e em ataques contra críticos. Pseudo-dissertações ocorrem em completa esterilidade na Internet, dentro de seu círculo vicioso de censura, “spin doctoring”, propaganda e mentiras descaradas. Recentemente, professaram uma abordagem erudita, que se limita a hiperlinkar textos de autodenominados sociólogos que defendem as chamadas “Novas Religiões Emergentes”.
Rotina, ritual, caixa registradora
A revisão da projeção de clichês cuidadosamente protegida não está entre as atividades favoritas dos grupos da O.T.O. Tudo deve permanecer fidedigno: o valor da onipotência profética de Crowley, o valor dos rituais, por exemplo a adoração diária do sol, a rotina das iniciações e da Missa Gnóstica de todos os domingos, o valor do código de comportamento, da censura em relação ao que é proibido e ao que é permitido. E a saudação repetida com fidelidade: “Faze o que tu queres”.
As produções do corpo são aplicadas para estética ou agressão? As imagens do ocultista não perguntam o que o corpo quer, mas o que ele é capaz de fazer.
Todas as palavras-chave mencionadas acima são meros instrumentos na tarefa de desviar e reprimir um fato em particular: que a versão americana da O.T.O., o chamado “Califado”, só existe para manter um único homem com casa e comida, permitindo-lhe que viva dos direitos autorais da obra de Aleister Crowley.
O perigo para tal renda, a única causa da existência do Califado, cria surpresas extremas e estranhas. A onipotência do Califa representa, ao mesmo tempo, a sua impotência. Como rei dos destronados por escolha própria, Thelemitas como outsiders da Sociedade, ele acaba sendo visto pela Sociedade como uma paródia de rei. Há uma crescente dúvida quanto à sua masculinidade, enquanto, ao mesmo tempo, ele regula o que é considerado o campo da homossexualidade de seu grupo, o XI°. No fim, torna-se a madona tirana cujo menor capricho deve ser obedecido, e por quem todos sacrificam tudo, inclusive a própria liberdade.
Resultado
A O.T.O. degenerou até se tornar apenas um “assunto de conversa”.
Este mecanismo só funciona sob a condição de que o “Califado” seja completamente irrelevante no contexto da Sociedade. Logo que a realidade entra em jogo, sob a forma da necessidade de fundos, advogados e coisas assim, os membros saem de fininho. Se desobedecem as regras da Ordem, o que têm a perder, exceto sua associação no clube?
O fato permanece: membros em revolta, lutando contra regras, não têm nada a temer no contexto da Sociedade — mas o “Califado” pode perder tudo: a sua base monetária.
Tradução, original e vizinhanças portuguesas
Traduções portuguesas
- Peter-R. Koenig: Introdução à Ordo Templi Orientis.
- P.R. Koenig: Os Espermo-Gnósticos e a Ordo Templi Orientis.
- P.R. Koenig: Criação Extática de Cultura.
- P.R. Koenig: A Aura do Fenômeno O.T.O.
- P.R. Koenig: O Ambiente do Reich dos Templários — Os Escravos Servirão.
- P.R. Koenig: Fetiche, Auto-Indução, Estigma e Rôleplay.
- P.R. Koenig: Versão Jogo de uma O.T.O.–Fatamorgana.
- P.R. Koenig: Carl Kellner — Jamais um membro de qualquer O.T.O.
- P.R. Koenig: Theodor Reuss: Avô da Sociedade Antroposófica?
- Theodor Reuss: Programa De Construção E Princípios Orientados Dos Neocristãos Gnósticos O.T.O. 1920.
- T. Reuss: I° Grau.
- P.R. Koenig: Carl William Hansen – Dinamarca.
- P.R. Koenig: The History of the O.T.O. in America.
- Documents on Oscar R. Schag in the context of Jane Wolfe, Marcelo Ramos Motta, Karl Germer, Hermann Joseph Metzger.
- Marcelo Ramos Motta: Ritual de Iniciação do Grau I O.T.O.
- Marcelo R. Motta: Carta A Um Maçon.
- Marcelo R. Motta: Lettre à un maçon brésilien.
- Marcelo R. Motta: Letter to a Brazilian Mason UNEXPURGATED.
- Bibliographic Note and Addendum to “Letter to a Brazilian Mason” by Marcelo Ramos Motta.
- Marcelo Ramos Motta to Karl Germer, July 2, 1954.
- Marcelo Ramos Motta about Paulo Coelho and others.
- Marcelo Ramos Motta: The Development of a Secret Society in America in the Years 1957-2000.
- P.R. Koenig: O Conquistador do Graal.
- P.R. Koenig: Uma O.T.O. no Brasil.
- Euclydes Lacerda de Almeida – Marcelo Ramos Motta – Kenneth Grant: Documentos 1966–1997.
- Marcelo Motta palavras com Euclydes Lacerda de Almeida, 18 de dezembro de 1973.
- Translation of Marcelo Motta’s tape to Euclydes Lacerda, dated 1973.
- Euclydes Lacerda de Almeida: Marcelo Ramos Motta — Um Enigma.
- Claudia Canuto de Menezes: Conheci Marcelo Ramos Motta nos idos anos 70.
- Claudia Canuto de Menezes: I met Marcelo Ramos Motta in the 70’s.
- Euclydes Lacerda de Almeida: Emails to P.R. Koenig.
- Marcelo A.C. Santos: A Verdadeira História do “Califado” no Brasil.
- Kenneth Grant/Eugen Grosche: Manifesto da Ordem Interna “O.T.O.” Orientis Britânia 1955.
- P.R. Koenig: Kenneth Grant e a O.T.O. Tifoniana.
- P.R. Koenig: Plano 93 do Espaço Exterior.
- Michael Staley: O.T.O. Tifoniana — Uma Breve História.
- Kenneth Grant: Concernente ao Culto de Lam.
- Michael Staley: Lam: O Portal.
- Michael Staley: Um Instrumento de Sucessão.
- Michael Staley: É Um Vento Ruim que Sopra ...
- Michael Staley: Lam Workshop.
- Simon Hinton: Sua totalidade na Mente.
- Fernando Liguori: Influência Tifoniana.
- Fernando Liguori: A Influência Tifoniana na O.T.O. Brasileira.
- Fernando Liguori: A Tradição Tifoniana.
- Fernando Liguori: Ritual da Estrela Nu-Isis.
- P.R. Koenig: In Nomine Demiurgi Saturni.
- P.R. Koenig: Saturno-Gnose: A Arte de Amar e Viver.
- Fraternitas Saturni: A apresentação solene do Anel de Loja.
- Walter Jantschik: Magia Sexual Licantrópica.
- Walter Jantschik: A Animação do GOTOS.
- Walter Jantschik: A Ordo Baphometis. Uma ordem mágica hermético-gnóstica.
Michael Staley, 2003: “Não existe ‘Typhonian O.T.O.’ Brasileira; nem nada semelhante a isto. Ninguém está autorizado a representá-la em nosso nome, ninguém tem nossa bênção. Todas e quaisquer alegações são fraudulentas.”
Michael Staley, 2003: “There is no Brazilian ‘Typhonian O.T.O.’; nor is there likely to be. No-one is authorised to act on our behalf, no-one has our blessing. All such claims are fraudulent.”
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