Alegadamente, em 11 de março de 1888 Eugen Grosche herdou a luz
do mundo no Riesa. Por sua família ser pobre, Eugen teve que deixar o Realschule
em Stollberg prematuramente e teve a suas últimas aulas no Volksschule
em Leipzig. Seus interesses literários conduziram-no à Escola
para Livreiros na editora Mueller-Mann.
Em 1911 mudou-se para Berlim, onde participou da edição
de "Der Militaer-Anwaerter," "Der Innenarchitekt" e "Deutsche
Kohlen-Zeitung". Em Setembro 29 1914, Grosche estava casado e teve mais tarde uma
filha cujo o nome, Alraune, é similar a obra de H.H. Ewers (1871-1943)
"Geschichte eines lebenden Wesens" de 1911.
Na Grande Guerra de 1914-1918 Grosche tornou-se um oficial
empregado no corpo médico, e após a guerra "Volkskommissar"
do "Unabhaengige Sozialdemokratische Arbeiter-Partei" (USPD). Em 1919 ele
se encontrou com uma senhora que colocou a sua disposição
40,000 Reichsmark a fim salvar Grosche e sua família da
inflação galopante, mas com a condição que Grosche se abstivesse da
atividade política. Eventualmente comprou uma papelaria que transformou
em uma livraria. No "Kapp-Putsch" de 1920 ele foi preso e enviado à
prisão em Lehrter Strasse. Após três meses tomou parte
em uma negociação para o Reichsmilitaergericht sob a direção
do sobrinho do Conde Zeppelin. Grosche foi libertado, e nomeado "Bezirksabgeordneter"
para Berlin-Schoeneberg por seu partido .
A mãe de Grosche era a governanta (?) na Sociedade Teosófica
em Berlim, cujo secretário Rudolf Steiner foi substituído
em 1921 pelo livreiro Heinrich Traenker. O último definia a si mesmo
como "delegado" secreto, o que o permitiu estar com
Grosche e sua livraria. A tarefa dada por Traenker a Grosche era: Grosche
como o Secretário "Gregor A[?]. Gregorius" deveria fundar uma Loja
Pansófica em Berlim. As trocas pessoais esotéricas que seguiram
introduziram Grosche a indivíduos como o astrólogo Peschke,
e ao hipnotista, magnetizador e curandeiro Paul Linke, no interesse de
Traenker. O último apresentou Grosche aos editores Otto Wilhelm
Barth, Oswald Mutze e Hugo Vollrath (1877-1943) que o estimulou a fundar
a livraria "Okkultisten-Laden Inveha" em 1924, onde os fundos eram
usados para reuniões "esotéricas" (isto é
experimentos de magia sexual com drogas).
Albin Grau/"Pacitius" se tornou Primeiro Presidente da Irmandade dos
Buscadores da Luz em Berlim. Ele nasceu em 13/6/1884 em Schoenefeld, perto
de Leipzig, e se tornou primeiro um aprendiz de padeiro (como H.J. Metzger)
depois estudante na Academia de Arte de Dresden. Durante a Primeira
Guerra Mundial estava na frente Russa, depois ilustrador da propaganda
para o Nord-German Lloyd e eventualmente para várias outras companhias
de transporte, e finalmente para o "Deutsche Bundesbahn". "Pacitius" era
também um escalador de montanhas, e como um escritor de scripts,
colaborou na produção de filmes como "Dr. Mabuse",
"Vampire" e "O gabinete do Dr. Caligari". Como um arquiteto de filmes
ele trabalhou com outros em "Decla-Aufnahmegebaeuden" para "Pietro,
der Korsar" (Dr. Robison) e "Die Nibelungen" (Fritz Lang, 1922).
Alvin [sic] Grau foi mencionado como responsável pela
produção do filme "Nosferatu" de Friedrich Wilhelm Murnau,
que foi financiado pela companhia Prana-Film de Berlim. Prana é
um termo esotérico tirado do Jornal Teosófico de Hugo Vollraths.
"No que me diz respeito, eu recebi o alto Grau de Magister Aquarii
de meu predecessor Mstr. Pacitius na Loja Pansófica e de Mstr. Recnartus
o Grau 16/18. da R.C. incluindo o Mestre dos 5. Graus OTO, confirmado
por Therion" (Grosche, 1,7,1959).
Em 1925 Crowley visitou Traenker e Germer. "Infelizmente, muito
tarde" lamentou Grau que orquestrou o convite para a chegada de Crowley.
As sociedades secretas alemãs sob Traenker dividiram-se em três
grupos: Traenker O.T.O./Pansofia, Kuentzel's/Germer's Thelema
Verlag e um novo desenvolvimento do operativo grupo Pansófico de
Berlim:
[Eugen Grosche's letters to Aleister Crowley.]
A Fraternitas Saturni
Em 8/5/1926 "Gregorius e quatro Fratres" estabeleceram em Berlim
um "Arbeitskreis" (grupo de trabalho): a Fraternitas Saturni.
No mesmo ano Grosche editou um livro chamado "Satanistische Magie", onde
claramente havia uma conexão entre Satanás, a Virgem Maria
e os Gnósticos de Barbelo.
Em 7/4/1928 sob autoridade de Groesche aparentemente de 40 a 60 membros
da Loja de Pansófica constituiram (fechando
a ramificação da Pansofia de Berlim) em "Amor Sem
Compaixão", a primeira organização thelêmica
autônoma (isto é, independente de Crowley, mas aceitando
sua lei de Thelema): a Fraternitas Saturni. A constituiçãoe
a abertura solene
ocorreu um sábado,11 de maio de 1928.
Consequentemente, no dia de sua fundação a FS tinha pego
a maioria de seus membros da Pansofia/O.T.O. Os 33 graus da AASR foram
reduzidos para 10. É ainda incerto em qual desses graus magia sexual
era praticada. O Grau Pentalfa, ou o 5*, era relacionado ao Tau do 8* grau
(Templarius) no qual a magia sexual era importante. Já um ano antes, a FS foi
mencionada no (astrológico) Calendário Vehlov. Em uma
carta para Gerald Yorke datada de 24/2/1954, Henri Birven [conhecido do
artigo sobre Arnoldo Krumm-Heller] escreveu que Albin
Grau deveria ter sido eleito o primeiro Grão Mestre da FS.
Entretanto Grosche passou sua frente recebendo 30,000 RM [sic] de uma princesa
no exílio. Em 1960 Grosche publicou um ritual Saturniano-Thelêmico
Pansófico talvez demonstrando que a Pansofia e a FS não eram
tão distintas quanto se supunha. Este ritual tinha sido provavelmente
desenvolvido pelo círculo operativo da FS dentro da Pansofia,
e para ela dificilmente poderia ser descrito como representando toda a
Loja. [publicado em P.R. Koenig: " Das Beste von
Heinrich Traenker ", Muenchen 1996.]
Karl Germer: "Como eu era co-fundador da "Pansophia" em 1922,
eu sei naturalmente tudo sobre a Fraternitas Saturni e as pessoas por trás
dela. Grosche era um maniaco sexual, metido em hipnose e drogas — um dos
tipos mais baixo de ocultistas que eu já encontrei. Grau era
um homem bom, mas estava envolvido profundamente demais com Grosche e Traenker...
Ele não pode se libertar e nunca viu a luz. Nenhum dessas pessoas
conheceu Crowley "bem". Encontraram-se com ele apenas uma vez, possivelmente
duas! Nenhum podia falar Inglês. Eu tive que traduzir e eles
rapidamente deixaram de lado. A FS não tinha nada a ver com A.C.
nem A.C. com eles."
==> Constitution of the Fraternitas Saturni
May 1928
From: Aythos (Walter Jantschik): "Die Fraternitas Saturni", A.R.W., Munich 1979.
Nos Anos Vinte, há boatos de drogas e sexo em torno
do Fraternitas Saturni. Eventualmente a queda de um provável membro
da FS sob os efeitos de cocaína de um ônibus provocou um escândalo,
como recordado por Oscar R. Schlag (que estava
visitando Grosche em sua livraria). Sem surpresa, Grosche em suas "Magical
Newsletters" é completamente claro, o "Lodge School-Edict
7" informou o leitor que o extrato de Peyote estava disponível através
do editor — adicionalmente, o emprego do hashish foi fortemente recomendado.
O "Berliner illustrierte Nachtausgabe" publicou em 8/12/1928 um
artigo ricamente ilustrado sobre a livraria de Grosche. Uma confência
em 8/10/1929 teve como seu tema "Homossexualidade e Esoterismo". Outra,
ocorrida em 23 de outubro, era sobre "Vampirismo e Magia com Sangue". "um
membro proeminente do período de Weimar era um Príncipe de
Coburg-Gotha, como também a Condessa Klinckowstroem". Como Henri
Birven em seu de "Hain der Isis", em julho de 1928 "Gregorius" publicou
através de Martha Kuentzel "Thelema- Verlags-Gesellschaft Leipzig"
um texto de Crowley — na verdade a primeira edição da revista
de cinco edições "Saturn-Gnosis". A página
título e as ilustrações foram criadas por Albin Grau,
que contribuiu também com artigos (ex. sobre Hoene-Wronski, 1776-1853).
Grau morreu em 27/3/1971, altamente louvado (porque assim?) por Metzger.
Frau Kuntzel reconheceu Grosche cedo o suficiente como um "Irmão
Negro". A correspondência de uma só mão entre Grosche
e Crowley nunca foi além das matérias gerais, superficiais
sobre Lojas [fac-símiles publicadas: Koenig, Das Beste von
Heinrich Tranker].
A editora de Frau Kuentzel em Zeulenroda distribuiu somente as primeiras
edições de "Logenschul- Vortraege" de Grosche. Em outubro
de 1928 as edições 3 de 13/14, e o "Saturn-Gnosis" foram
impressas por Franz Weber.
Em 31/10/1929 Grosche acabou com seu "Esoterische Studiengesellschaft"
(sob esta denominação alguns prospectos e anunciamentos foram
feitos públicos) e decidiu usar temporariamente o nome "Gnostische
Arbeits-Gemeinschaft" como denominação.
Os problemas financeiros o forçaram a vender sua livraria para
Paul Dorge, e a iniciar uma prática como um psicoterapeuta. Não
é claro porque Crowley, na ocasião de sua visita a Berlim
em 1930, não teve nenhum contato com ele. Após a apreensão
de sua biblioteca pelo Gestapo em 1936, Grosche escapou para a Suíça
onde visitou Oscar Schlag em Zurique.
Uma egrégora de Saturno na ensolarada Tessin
Em 1936-1937 Grosche apareceu no Grupo da O.T.O. em torno de Genja
Jantzen, Alice Sprengel e Frau Hardegger, e profetizou a Segunda Guerra
Mundial. Seu querido Hanne Wildt permaneceu atrás em Tessin, depois
que residiram pelos dois anos seguintes lá, quando Grosche obteve
uma licença para sair para Itália. Embora obtivesse sua licença
de residência do Ministro das Relações exteriores
em Roma, Grosche foi expulso em 1942 para Alemanha, onde se tornou gerente
de uma livraria. Em 1942/43 era um prisioneiro político em uma prisão
de Leipzig. Em 1945 obteve um trabalho como um oficial de policia no Kampfpolizei.
Não obstante ele teve sucesso em escapar de Dresden para Riesa,
no Elbe. Depois da guerra ele foi instituído Conselheiro da Cidade
para Cultura, a Educação e Museus. Foi forçado a entrar
no KPD que o pos logo sob pressão por causa de suas atividades
esotéricas, e isto o levou para Berlim Ocidental em julho de 1950.
Três ano antes, em janeiro de 1947, Karl Wedler/"Giovanni" (nascido
em 2/12/1911) tornou-se um membro da FS. Friedrich Lekve, um ex estudante
de Martha Kuentzel (falecida em 1942), em uma carta de Crowley datada
de 29/4/46, descreveu Grosche junto com Germer, C.S. Jones e Mathers como
câncer no sangue de gigantes espirituais. Não obstante Hermann
Joseph Metzger recebeu o endereço de Grosche de Lekve durante sua
viagem a Alemanha na Primavera de 1950.
Hermann Joseph Metzger
Em 14/5/1950 Metzger/"Paragranus"/"Peter Mano" começou uma rica
correspondência com Gregorius. Metzger ofereceu sua ajuda a Grosche
e convidou-o a permanecer na Suíça. Já nesta primeira
troca de cartas, Grosche ofereceu a Metzger os direitos autorais e editoriais
para todas as publicações do FS. Como ambas as partes visavam
uma afiliação legal para seus grupos esotéricos, Metzger
recebeu a liderança da Loja suíça da FS em 10/6/1950.
Após ter obtido um visto para Alemanha e Áustria, Metzger
visitou os Irmãos e Irmãs no vale da Áustria, Leste
de Viena, em novembro de 1950 e maio de 1951. Estes estavam sob a liderança
de Eduard Korbel, que tentou ressucitar a Ordem dos
Illuminaticomo um átrio para a FS. Sua viagem o levou para Tessin em Outubro de 1950 para ganhar o favor
dos membros restantes da O.T.O. do tempo de Reuss
(o que foi em vão). O que Metzger escondia
de Grosche, então, é o fato que recebeu do Presidente da
"Liga Mundial dos Illuminati" Julius Meyer em Berlim a autoridade
para operar como mensageiro entre Meyer e Korbel.
No fim de julho 1950 Metzger visitou Traenker, que se via como o sucessor
de Theodor Reuss, o que fez dele o "maior adversário" de
Metzger. Metzger não ousou reconhecer seu relacionamento com a FS,
porque tanto Metzger como Grosche temeram um processo jurídico,
que poderia resultar em Traenker excluindo eles da troca dos Documentos
Internos da Ordem, especialmente os que diziam respeito ao Supremum Sanctuarium
da O.T.O. ao qual ele se nomeou. Sob a proteção da FS a O.T.O.
na Alemanha ficou incorporada como o 18* na
então escala de 33* graus da FS. "Então a Loja [FS] está
pela frente [da O.T.O.], e ele [Traenker] não
pode ir contra ela. Como a parte de uma Associação, ela desfruta
de proteção legítima" "O Johanismo grau
[maçonaria] [ofício] dirigiria os primeiros três
graus da FS, então seguem os [graus] Pronaos da FS, e no
grau Pentalfa [18*] os membros eram admitidos ao trabalho da O.T.O.,
desde que se assume que a O.T.O. inclui o Johanismo. — Aqueles
irmãos poderiam conseguir simultaneamente o grau de Merkur ou proseguir
de uma outra maneira especial?"
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